Cancro com humor_ Geral

Escolhe quanto queres viver.

Se pudéssemos escolher a quantidade de dias a viver, somaríamos o máximo, todos os dias, até aos mil anos, ou não, ou só até aos cinquenta, aos que fosse, se pudéssemos escolher. Não podemos.

Não dá para oferecer a eternidade a ninguém mesmo que quiséssemos, mesmo que a merecêssemos. Mas podemos escolher quanto queremos viver dos dias que nos estão destinados. Isso podemos escolher.

Escolhe não guardar mágoas. Escolhe não falar mal de ninguém. Escolhe aprender com as falhas. Escolhe cortar as amarras com os que não acrescentam nada e acrescenta tu amor e humor aos quantos dias te calharem. Escolhe falar por bem, aceitar os que não pensam o mesmo que tu, escolhe apreciar as coisas e as pessoas, escolhe gostar de ti, escolhe gostar de quem te faz bem e não olhes a quem, quando for para fazer pelo melhor. Escolhe ser maior em valores, em amores e não te melindres pelo que não é substancial e não leves tudo a mal, não passes de bestial a besta quem te ensinou alguma coisa, perdoa, relativiza, suaviza. Passa um pano claro onde tem pó.

Não dá para oferecer a eternidade a ninguém mesmo que quiséssemos, mesmo que a merecêssemos. Mas podemos escolher quanto queremos viver dos dias que nos estão destinados. Isso podemos escolher.

Se chove lá fora, aprecia, se faz sol, agradece e se nenhuma dessas vezes te convir, aceita todos os tempos e as estações, porque sempre que reclamas a alma morre, porque sempre que te chateias é mais um bocadinho de brilho teu que se foi.

Marine Antunes.

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Cancro com humor_ Geral

É preciso ser alegre para se sobreviver quando se está triste.

Cada vez mais tenho consciência disto: a alegria é um estado de espírito ousado. Existe preconceito em relação aos alegres porque duvidamos deles – ou está a fingir (“quem é que sorri só por andar na rua?”) ou é rico (“ah, se eu tivesse tudo também sorria assim!”), ou é uma defesa que o ajuda a lidar com os seus próprios dramas (“tem de ter algum problema escondido”).

Ser alegre, nos dias de hoje, é para os corajosos mas não é só isso. A cara fechada dá outra credibilidade, não é? Até quando renovamos o Cartão de Cidadão nos impedem de sorrir e as modelos desfilam, quase zangadas e fotografam com uma generalizada apatia como se fosse mais sexy mostrar desprezo pelo mundo na passadeira vermelha. Grandes sorrisos trazem grandes desconfianças, espelhando a nossa vulnerabilidade – se sorris mostras demasiado de ti e o Instagram pode estar cheio de fotos em tronco nu e de rabos na piscina mas o sorriso, o sorriso é tabu.

Parece que acreditamos que a tristeza mostra inteligência – como ser alegre se o mundo está à beira duma guerra nuclear, se o Trump faz discursos de ódio, se as fronteiras separam as famílias, se as desgraças naturais despoletam a cólera? Será que os alegres não estão atentos às notícias? Não querem saber? Parece que acreditamos que a alegria é estupidez, desinteresse, burrice.

Não. A alegria é ousadia. Quanto à tristeza? É um vírus. A tristeza desencadeia depressões e a depressão convida a novas tragédias. A tristeza é o novo cancro moderno que afeta milhões de pessoas todos os dias. E a alegria que salva e contagia, é o maior ato de coragem, é o medicamento que depois se toma à pressa mas às vezes a tristeza que é doença, já está demasiada alastrada.

É preciso ser alegre para se sobreviver quando se está triste.

Ser alegre todos os dias. Isso é desafiador. Buscar em nós vontade, riso e trazê-lo cá para onde os outros habitam é poderoso. Não podemos maldizer da alegria. Não podemos criticar os alegres. Precisamos deles. Precisamos da alegria antes da tristeza e da alegria quando se está já triste também.

É preciso ser alegre para se sobreviver quando se está triste.

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Cancro com humor_ Geral

Não precises do cancro para nada.

CARECA

Digo isto nas minhas palestras. Escrevo isto para vocês. E talvez alguns até oiçam. E talvez alguns até leiam. Mas são poucos os que mudam o que está errado nas suas vidas sem serem atropelados em primeiro lugar.

Talvez tenha de ser assim – talvez tenhamos de viver as coisas, experienciar, sentir na pele para mudar. Comigo foi assim (eu sou casmurra, por isso, não sou exemplo para ninguém e só aprendo à porrada) mas contigo… contigo pode ser diferente.

Não precises do cancro para nada.
Não precises que te caia o mundo, como me caiu, não precises de perder, como perdi, não precises de apanhar o susto da tua vida para valorizar, não precises de partir uma perna para te apetecer correr.

Mas talvez funcionemos todos assim. Será? Somos tão presunçosos que só acreditamos naquilo que vemos, somos tão prepotentes que ainda achamos que vivemos para sempre. Mas não vivemos. A saúde, tão volátil, tão adorada só quando não está, a família tão preciosa, só sentida quando se ausenta.

Não tem de ser assim. Não precisas de viver na pele todas as dores que existem para fazeres escolhas melhores. Por isso é que partilhamos, contamos, dizemos uns aos outros aquilo que vivemos, na esperança que os que ouvem, façam escolhas ainda melhores que as nossas!

Se eu soubesse o que sei hoje!”, gritamos, em uníssono, alguma vez na nossa vida. E eu digo-te: vive. Vive a sério. Escolhe o que te faz bem, sem medo. Se não aprendermos nada uns com os outros, se não atalharmos por outro caminho porque aquele já se mostrou perigoso, se não crescermos em empatia, se não nos identificarmos ao ponto de assumirmos que “já sei porque já vi” então somos todos surdos e moucos porque queremos. Porque sim.

Não chega acenar com a cabeça a este texto. Para depois voltarmos surdos, moucos e com falta de memória aos velhos hábitos.

Não precises do cancro para nada.
Marine Antunes – escritora
Blogue: www.cancrocomhumor.wordpress.com

Cancro com humor_ Geral

Não mudamos ninguém. É uma canseira tentar.

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🔛🆕Sou muito cabeça de vento. Perco-me a pensar, a refletir, a falar sozinha. Sei que pareço maluquinha mas por outro lado, raramente me sinto sozinha. Os meus pensamentos ocupam muito do meu espaço e da minha vida. E às vezes reparo que as pessoas têm preguiça de pensar. Que se acomodam às suas tarefas rotineiras, repetindo os dias e que se chateiam se lhe perguntarmos por sentimentos ou, pior, sonhos.

Normalmente, respondem a essas questões muito zangadas e com justificações para tudo: “a casa, as contas, os filhos, as costas” e detestam que as acordem do modo zombie. Parei de fazer isso. Já não acordo ninguém perguntando de frente – deixei de ser afronta.

E quando sou eu que estou em modo automático, também não quero que me sacudam da sesta. Porque todos temos resistência a que nos digam o que fazer. Prefiro então, que os outros me inspirem. Prefiro também correr e cativar os meus a correr, ao invés de lhes tocar na campainha e obrigar a que saiam de casa comigo.

Fazer e não convencer.

Não mudamos ninguém. No máximo, inspiramos a que sejam melhores e deixamos que nos inspirem. Não mudamos ninguém. É uma canseira tentar.

Cancro com humor_ Geral

Serei sempre um bocadinho paranóica. Boa tarde.

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Sou boa cachopa, sou sim senhor, tenho a minha vidinha bem resolvida, tenho pois, mas nunca disse que a caixa funcionava perfeitamente, sem enganos e gaguejos. Disto, não nos explicam nas consultas mas ficava mais descansada se me tivessem avisado – “Marine, segue lá o teu percurso que está tudo bem mas … ah! Não te esqueças que serás sempre um bocadinho paranóica. E está tudo certo”.

E isto é coisa para avisar uma pessoa porque andamos nós a ver os descontos do mês no supermercado, quando nos dá uma dor na perna, vinda do nada e começamos logo a fazer o nosso filme com protagonistas e figurantes  – a dor da perna passa para a anca, da anca para o tronco e enquanto temos o saco do Lidl na mão, na nossa cabeça já se ouvem sirenes para nos virem buscar – porque de repente, a dor inexplicável é um monte de coisas com nomes complicados.

Gostava que me tivessem avisado que nunca mais ouviria falar de sintomas sem me arrepiar, que não poderia ver o engelhar de um nariz de um médico sem um acompanhamento de taquicardias, que a cada tosse, comichão ou mesmo espirro tivesse uma insensata vontade de procurar respostas no google. Alguém me deveria ter dito que a mente ficará sempre desperta, acordada, sobressaltada no inverno e a cada consulta anual. Alguém me deveria ter dito que nunca mais seria normal, porque isso sim já não me assustava.

“Marine, essa cabecinha vai inventar alguma coisa a cada trimestre, porque serás sempre um bocadinho paranóica. E está tudo certo”.

Alguém me deveria ter dito que a ansiedade se trabalha, devagarinho e regularmente, que o corpo reage aos pensamentos e que viver o presente, sem medo do futuro é bem diferente do que ter medo de projetar. Ando a aprender estas coisas sozinha, mas alguém poderia avisar.

Aviso eu.

Cancro com humor_ Geral

Pode a felicidade fazer-nos colapsar?

foto bio

As coisas têm acontecido imprevisivelmente. E têm corrido bem. Tenho adorado a novidade dos meus dias, dos convites e dos projetos que surgem sem esperar, porque depois mantenho outros hábitos numa amada e desejada monotonia – pequeno-almoço ao domingo, no mesmo sítio de sempre, amor no mesmo coração de sempre.

Esta semana, apesar de estar feliz com as coisas que me estão a acontecer, entrei em histerismo emocional (acabo de inventar este termo mas parece-me ótimo). Com as novidades a chegarem, a agenda a ficar completa, a rotina a ser alterada, a felicidade começou a consumir-me por dentro e o medo a crescer, porque a felicidade desmedida assusta. Conheces esta sensação?

Confesso que me senti estúpida por saber que a minha felicidade estava a estragar tudo – isto faz algum sentido? A felicidade ser o motivo de tamanho esmagamento? Percebi isso, porque comecei a falar muito depressa, a telefonar a toda a gente, a exagerar nos gestos, no tom de voz, em tudo. O Tiago, que me conhece como ninguém, só dizia: “Respira fundo, vais colapsar assim”. E eu, no meu estado extremo, respondia calminha, como um cordeirinho: “ESTOU ÓPTIMA!!”

Para nós, a única solução estava à vista: pegámos no meu histerismo nervoso, fomos até à praia para que o mar me acalmasse e a água gelada nos pés, me ajudasse a sentir o meu corpo de novo. Ouvir as ondas, tocar na areia, ficar na praia até o sol se despedir, tornou a minha respiração regular de novo. O meu histerismo nervoso acalmou, mas a felicidade não. Apenas não deixei que engolisse o meu coração outra vez (caraças, como é incrível a nossa capacidade de mudarmos o nosso estado de espírito se alterarmos um pequeno comportamento ou contexto).

Mesmo estando melhor, não parei de me perguntar: a felicidade pode fazer-nos colapsar? O melhor que nos acontece, pode fazer-nos mal? Pode magoar-nos?

Acho que é o reverso da moeda, uma face que não se vê sem a outra. O medo e a felicidade andarão sempre de mãos dadas. É preciso usufruir do momento sem grande apego, sem que o medo de perder seja maior do que a felicidade de viver o que nos está destinado. Mas como é que se faz isso? Só a praia é que me pode salvar?

Claro que não. Acho que a praia não chega. Todos os oceanos não chegam para me limpar do medo, da angústia de falhar – preciso de ser a primeira a proteger-me da minha ansiedade. Da minha exagerada forma de sentir tudo. Não quero ficar exausta só por me sentir feliz. Não quero que as coisas boas sejam demasiado para mim. Quero saber que as mereço e que as posso viver, porque o melhor do mundo não é demasiado. É o justo.

Talvez tudo isto tenha só a ver com sabermos se merecemos ou não, as maravilhas dos nossos dias. Talvez seja essa a nossa luta, trabalhar o merecimento, merecer sem culpa.

De qualquer forma, ainda bem que tenho o mar do meu lado. E o Tiago também. Ainda bem que tenho quem me ajude a respirar de novo, quando o meu corpo se torna demasiado pesado. Ainda bem que eles me lembram que mereço. Ainda bem que gostam de mim mesmo quando o meu histerismo nervoso me transforma numa barata virada de barriga para cima, com as perninhas malucas a abanar rapidamente.

Ainda bem.

Marine Antunes

 

Cancro com humor_ Geral

Corrente Positiva – Inês.

O meu nome é Inês, tenho 24 anos e quero mostrar-te que nunca é tarde para sonhar.
Sempre tive uma família maravilhosa, uma casa enorme e um bom ambiente dentro
dela. Nunca tinha perdido ninguém que gostasse, tinha os avós todos comigo e tinha
Natais preenchidos de alegria. Os meus pais faziam-me surpresas no meu dia de anos e
qualquer presente que eu recebesse me fazia feliz. Adorava a escola e tirava boas
notas. Nunca reprovei. Mas no meio desta vida perfeita algo não estava bem. Aos
meus 10 anos comecei a sofrer de bullying e a ouvir frases como : “não vales
nada”, não te inscreva nisso porque não vais conseguir”, “ninguém quer ser tua
amiga”.

O tempo ia passando e eu achava que era normal ouvir essas coisas, até porque eu era
uma menina timída, vestida com a roupa toda a condizer que quando estava a brincar
no sótão sonhava que um dia ainda ia marcar a vida das pessoas. Tudo isto se prolongou até aos meus 17 anos. Nessa altura, começou a ficar difícil aceitar o desprezo dos outros, a falta de respeito e quando terminei o secundário saí da escola e quis ir trabalhar, quis mudar de vida. Nunca eu pensei que arranjar trabalho naquela altura fosse tão difícil.

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Comecei por me inscrever no centro de emprego, em fábricas, mas nada surgia. Os
pensamentos começaram a tomar conta de mim e durante as tardes fechadas em casa
ouvia vozes dentro de mim que me dizia “não vais conseguir”, “elas tinham razão, tu
não vales nada”. Aquelas vozes eram tão fortes que me fizeram mesmo acreditar que
não valia a pena. Foi nesse momento que apareceram as crises de estômago, os
ataques de pânico, crises de ansiedade, uma anemia crónica, e uma vontade enorme
de desistir de tudo.
Todos os tratamentos que eu fazia eram em vão. Nada resultava. Estava sem duvida
desesperada. Só via pessoas a sofrer à minha volta, por eu não estar bem. Os meus
amigos ficavam cansados de mim, não aceitavam o problema e diziam que eu só
queria atenção.
Todos os trabalhos que arranjava acabava por sair deles, porque não me sentia
confortável. Tinha um medo terrível de falhar com os meus superiores, com os meus
colegas de trabalho, comigo própria.
Até que um dia acordei, liguei a televisão e estava a dar alguém que eu já conhecia à
muitos anos, a apresentar uma solução para mim. Era o Dr. Alberto e a sua terapia
maravilhosa a Hipnose.
Decidi arriscar o meu último trunfo e fui experimentar. Nesta altura descobri a minha
doença auto-imune e recebi a noticia de que tinha de fazer tratamentos numa unidade
de hematologia. Tudo caiu, fiquei sem chão e sem saber o que fazer.

O cenário era este: Jovem de 21 anos, com neutropenia, a precisar de tratamentos
durante um mês. Sem amigos, sem poder trabalhar, sem auto-estima e sem soluções.
Ia para os tratamentos sempre a chorar. Não queria estar ali. Não queria aquilo. Até
que um dia no tratamento, ao meu lado estava uma senhora pronta para fazer
tratamento a um cancro. Tinha de lá ficar 4 horas enquanto que eu tinha de ficar 1
hora e 20 minutos. Eu não sei o nome dela, mas naquele momento eu senti-me
egoísta. Porque eu tinha uma vida pela frente e ela não sabia se ia poder voltar a viver.
Decidi então enfrentar o desafio da minha vida, aceitar tudo o que se estava a passar e
foi nesse momento que recebi um dos melhores convites da minha vida: Ser
hipnoterapeuta. Quando ninguém acreditava em mim e nas minhas capacidade e só me viam como uma pessoa doente: o Dr. Alberto Lopes desafiou-me a embarcar numa aventura com ele, com a certeza que eu ia conseguir chegar ao fim com uma boa nota.
Decidi aceitar, mas para que tudo corresse bem precisei de fazer várias mudanças.
Comecei por concluir toda a terapia em hipnose, de seguida eliminei da minha vida
pessoas que não me faziam bem, encontrei um novo emprego, fiz uma lista de sonhos
que queria cumprir e arrisquei com toda a força que tinha.

E CONSEGUI! Deu muita luta claro. Foram muitas as vezes que me questionei se ia
conseguir, mas acreditei sempre. Todos os dias me esforçava mais um bocadinho para
evoluir algum ponto.
E realmente consegui.
Escolhi todos os dias evoluir e aprender mais sobre mim. Fui à luta dos meus sonhos e
já conquistei tanto.
Mostrei também a todos aqueles que nunca acreditaram em mim que estavam
errados.
No inicio deste ano dei novamente uma reviravolta na minha vida. Despedi-me de um
trabalho que não fazia sentido para mim e aceitei a proposta da minha vida. Hoje sou
hipnoterapeuta e coach, numa clínica que adoro onde inspiro pessoas a serem felizes e
a nunca desistirem dos seus sonhos.

Para este ano ainda estou a trabalhar no meu livro, que é outro grande sonho, onde
falo sobre como foi lidar com toda a violência na escola e com todo o processo de cura interior.

Inês.